Wednesday, February 22, 2006

Como Sobreviver no 3o. Mundo



Somos um povo acostumado com a roubalheira.
Acostumados a olhar para os lados mesmo quando o sinal está verde para nós.
Somos atropelados a todo instante por leis, impostos e motos desgovernadas.

Estamos acostumados a dar um jeitinho, a ser assim, desse jeito.
Acostumados a aprender uma teoria, mas saber que na prática, ela é outra.

Viramos fãs de Roberto Jefferson porque ele foi justo?
Foi mesmo? Ou ele se sentiu como uma abelha se sente ao soltar o ferrão no braço de alguém, encurralado..?

Ninguém talvez aceite a minha teoria, mas meu herói não é aquele que assumiu ter roubado.
Pode ter certeza, se assumiu é porque se sentiu como a abelha, porque roubou demais a ponto de ter que se assumir mesmo.

Meu herói, meu ídolo é aquele que rouba, mas ninguém o descobre.

Sim, eu estou acostumado a roubalheira, eu assumo que vivo nesse país e não vou ficar me lamentando por isso sem aqui nada fazer. Reclamar e nada fazer é ser ranzinza (o ranzinismo eu já guardo para minha velhice, obrigado) Quando for votar, eu vou tentar votar naquele que menos mal me fizer. Mas quando vir as motos desgovernadas no trânsito, não vou ficar xingando. Vou apenas olhar para os dois lados e me certificar de que elas não me atropelarão.
(Favor realizar a troca de metáforas e vice-versa no parágrafo anterior)

Não me queimem já, uma vez que meu discurso parece o de um "acomodado". Uma sutil diferença nestas palavras é que ter como ídolo aqueles que roubam apenas um pouquinho (o suficiente para continuarem atrás da moita) é aceitar que todos caímos na tentação, erramos e fazemos merda. Eu entendo eles. Eu sei meus colegas (não amigos), é dificil não roubar. Todos roubamos. Todos fazemos merda. Não queremos tirar dos pobres. Mas queremos ser ricos.
Eu entendo a sua merda, só não me afunde com ela.

Roubar, mas roubar com bom senso. Todos temos que ter uma cota máxima de merda.

Não sou acomodado, apenas tento me adaptar.

Se eu xingar a moto que quase me atropelou provavelmente nada vai mudar, mas, se eu, ao invés de correr o risco de ser atropelado ser precavido e olhar para os lados (não precisando assim xingar) eu fui adaptado a realidade. E evitei dor de cabeça e não perdi nada com isso e atravessei a rua mesmo assim!

Queime este post se quiser, mas até que você me prove o contrário, eu continuarei, até a minha morte - atolado, pobre, atropelado -, a acreditar que mesmo com boas ações e o sentimento de que podemos mudar o mundo, o mundo continuará sempre um ladrão... E... sobreviverão aqueles que: ...ou tem como ídolos os que tem habilidade de "roubar" e "atropelar" um pouquinho mas não muito... ou aqueles que são os próprios ídolos.

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